Era uma noite fria e chuvosa de terça-feira, durante as férias de julho da escola e, por acaso, não havia nada pra fazer. Thiago estava cansado de ficar na internet, ver filmes repetidos em dvd, e nem passava por sua cabeça ler um livro. Não querendo ficar nesse tédio todo, resolve chamar alguns amigos para sair. Não era tarde, era por volta de 19:00 horas. Então, decidido, ligou primeiramente para Carlos e Jessica. Eles três tinham uma grande afinidade, por se conhecerem desde muito pequenos, e seus pais serem amigos. Então foi combinado entre os três para saírem e curtirem a noite. Só que eles não iriam sozinho. Foi pedido a Jéssica que ligasse para Vinicius e Paulo, enquanto Carlos faria o favor de chamar Flavio, Fellipe e Bruna.
Todos os amigos estavam dispostos a sair, somente Flavio deu trabalho, pois não estava tão disposto, devido aos seus intensos trabalhos de eletrônica e informática. Mesmo assim não resistiu a ver todos saírem e ele não. Foi combinado que todos se encontrassem numa pracinha próxima a casa de Jessica (todos moravam mais ou menos na mesma região, todos iriam a pé pra lá) às 20:00 horas. Thiago estava pronto às 19:35, e estava ansioso para sair. Então pegou suas chaves, carteira e celular, e deixou um recado para sua mãe, que era enfermeira e talvez só estivesse em casa de madrugada. Seu pai era taxista, e trabalhava a noite, talvez só estivesse de volta pela manhã.
Continuava garoando, bem fino, não havia necessidade de guarda-chuva. Quando abriu a porta pra se retirar...BOOF... o transformador de algum lugar estourou, e aos poucos, pôde ver as luzes se apagando, em ordem, de casa
Quando estava chegando próximo a pracinha, percebeu que ali ainda tinha luz, e pode avistar de longe seus sete amigos. –Olha o atrasão ali, haha- disse Carlos em tom de brincadeira.. Cumprimentou todos, falou da falta de luz, e bateram um breve papo. Ele já não estava muito bem, tinha um sensação ruim.
-Viemos aqui pra sair e curtir né? Então vamos.- falou Bruna, e foram andando em direção a nada, sem nenhum objetivo,sem rumo. A rua estava bastante deserta, devido a leve chuva que ocorria. Estavam todos conversando e brincando um com os outros, parecia que a noite ia render bem, até que começou a ventar mais forte, podia-se notar trovões e relâmpagos, e mais do que de repente começou a chover muito, uma chuva realmente pesada, suficiente para molhar-los todos.
Jessica os chamou, quase gritando, para segui-la, ela estava apontando para o shopping da região. Sem nem pensar todos foram pra lá, e quando chegaram começaram a rir um dos outros. –Bom, já que estamos aqui, vamos fazer algo. Pelo menos até a chuva passar.- comentou Fellipe. –Realmente, não podemos sair com essa chuva braba.- completou Flavio.E aproveitaram a ocasião: fizeram lanche, jogaram em alguns fliperamas, conversaram, e até q viram que já era 22:00 horas, e resolveram ver se a chuva tinha passado. E nada, estava a mesma coisa, ou até pior. Foi nessa hora que Jessica e Fellipe resolveram ir ao banheiro e beber água, Vinicius, Paulo e Carlos continuaram no vício dos fliperamas, Thiago, Flavio e Bruna foram olhar algumas lojas.
Exatamente no momento em que estavam todos separados...BOOF...um estalo parecido com o que Thiago tinha escutado, só que mais alto. Ele já sabia o que aconteceria. As luzes se apagaram. –Fiquem todos próximos!- falou Thiago para os amigos. E depois de alguns segundos, algumas luzes de emergência acenderam, não todas, mas mesmo assim o shopping não parecia mais o mesmo.
Não se era mais possível ver nenhuma loja direito, nem bancos, nem caixas eletrônicos, nem nada, muito mal dava pra ver seus amigos.
-Mas que falta de sorte, acabar luz no shopping, só espero que lá fora tenha luz ainda.- disse Flavio.
-Realmente, hoje tá complicado.- Bruna com um sorriso no rosto. Thiago sentiu um frio na nuca, não sabia o que era, se virou e escutou um grito muito alto. Foi feita uma força e ele caiu pra trás, como se alguém o tivesse empurrado. Os amigos logo o levantaram e perguntaram como estava.
-Que grito horrível, e mais alto, eu me assustei também, mas por que você caiu?- perguntou Bruna.
–Não sei.- respondeu –mas foi muito estranho, porque gritariam assim aqui dentro?
-Não faço idéia. Mas já tá na hora de sairmos daqui.- disse Flavio.
-Mas e o resto do pessoal?- Thiago.
-Bom, todos estão de celular, vamos ligar pra eles.- falou Flavio. E nesse momento, os três pegam seus celulares e ligaram pra os outros, mas para surpresa, não havia um sinal sequer ali dentro. Podia-se ouvir as outras poucas pessoas que também estavam lá, falando baixo, em tom de medo, se preparando pra sair do lugar. O serviço do shopping, até ali, não havia dado nenhum sinal de calma nem nada, tinham os deixado sem nenhuma segurança ou tranqüilidade.
-Precisamos achar os outros, não vai ser tão difícil, mesmo sendo poucas luzes, e fracas, tem como enxergar.- Thiago. E foram eles em busca do pessoal. Não tinham nenhuma base, pois todas as lojas estavam escuras, mas sabiam que os banheiros ficavam no fundo do shopping, então foram até lá. Haviam ido na direção certa, era possível ver os bebedouros e duas portas atrás.
-JESSICA, FELLIPE!!!!!- gritou Thiago batendo nas portas, mas ninguém respondia, e então...HAHAHAHA... um riso muito alto, maligno, ensurdecedor que vinha de dentro do banheiro.E então, POW, POW, POW. Pareciam pisadas, dava pra sentir um tremor no chão, e estava se aproximando.
-Mas que droga é essa? Corre!!!!!!- Gritou Thiago. Os três saíram subitamente, um tropeçando no outro, sem olhar pra onde iam, mergulhando no escuro, e escorregando pelo chão molhado. Thiago e Bruna tiraram forças não se sabe de onde, mas correram juntos, e finalmente chegaram na saída do shopping, e lá fora também estava sem luz, totalmente deserto e ainda com aquela chuva pesada, dava pra ouvir as “pisadas” só que bem baixo.
-Conseguimos.- disse Bruna. – Mas e o Flavio?...
...
...
Flavio corria bastante, mas uma mesa da praça de alimentação estava fora do lugar, e ele a atropelou e caiu por cima, ficou deitado por 5 segundos, sentindo a dor da pancada. Mas o desespero pelo barulho o fez levantar e continuar correndo, agora sim perdido, pois não sabia em que direção estava correndo. Estava desperando com o barulho se aproximando, e...POOM... havia dado um encontrão com alguém.
-Droga, desgraçado...- Flavio, com a mão na cabeça e caído no chão novamente. O barulho havia parado.
-Flavio?- perguntaram. –É você?
Não lhe veio a mente de primeira, mas sabia quem era pela voz. –Fellipe. Temos que sair daqui, parece que sei lá. O clima aqui tá estranho. Vamos. Cadê a Jessica?
-Você não acreditaria se eu contasse, mas alguma coisa a atacou... Não sei o que pode ter sido. Não há chances de a procurarmos. Vamos.
Fellipe tinha uma noção a mais que Flavio, era detalhista, sabia exatamente onde era a saída do shopping, mesmo com pouca luz. E lá estavam. -...então Bruna e Thiago devem estar por perto, não iam nos deixar assim.- Comentou Flavio.
Estava muito escuro e barulhento pela chuva, mas podiam avistar um fogo dentro de uma lixeira do outro lado da rua, era provável que os dois estivessem ali.E realmente estavam.estavam os dois com capas de chuva. Pegaram em uma loja, que havia já sido saqueada, pelos assaltantes locais, que se aproveitaram da horrenda chuva.
-Hei, venham, aqui.- Thiago chamou. –temos que dar um jeito de achar os outros.
-Jess foi atacada. Não sabemos pelo que, mas foi.- Fellipe.
-Isso é estranho demais, coisas assim não existem, é macabro...- Thiago.
-Vamos sair da rua, se repararem, as ruas estão enchendo. Não podemos ficar mais.- disse Bruna. –Os outros vão saber se cuidar, como nós soubemos.
Thiago não havia gostado da idéia, queria seus 4 amigos de volta, mesmo assim não podia fazer nada no presente momento. Então foi com os amigos, para a lojinha de bugigangas, onde pegaram as capas. Lá havia muitas coisas, entraram e logo se apoderaram das coisas: conseguiram fechar a porta, acenderam muitas velas, e encontraram pilhas, baterias e algumas lanternas. Pegaram comida da loja também. E parecia que a região estava entregue as moscas, não havia ninguém nas ruas, nem carros, nem polícia, nem nada, aparentemente só eles. Agora sim estavam preparados, era só esperar a chuva passar...
-Mas e se não passar?- questionou Flavio.
-Iremos assim mesmo, ou esperaremos até de manhã, porque...
AHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!! Ouviu-se um grito, vindo do fundo da loja, todos se assustaram. FUUL... todas as velas se apagaram, agora podiam ouvir quem estava gritando, era a voz da Jess...
-AH!!!!! NÃO DEIXEM ME MATAR, AH!!!!!- gritando muito alto, e era possível ver vultos, dois, um caído e outro em cima, parecia que estava esfaqueando alguém...
-NÃOOO!!!!- gritou Thiago, e partiu pra cima dos dois vultos.
Os outros estavam muito assustados com isso, Bruna queria sair da loja, mas a porta não abria de maneira nenhuma. Fellipe e Flavio ficaram sem reação. Apenas ficaram parados, com cara de medo. Thiago percebeu que não tinha mais nada onde tinha se atirado, nem um barulho, nem vulto, nem nada. Então Flavio desparalizou e foi acender as velas novamente e deparam com uma cena horrível e chocante. Jess estava morta, com o corpo todo aberto, a barriga aberta, todas as partes perfuradas, um dos olhos havia sido furado, o chão todo cheio de sangue, que ainda saía de seu corpo, nunca haviam visto nada assim.
-AHHHHHHHHHH!!!!!!!!- Bruna gritou e logo em seguida desmaiou, Fellipe a segurou, mesmo assim ainda chocado com a cena. Thiago começou a chorar perto dela, avistando ao lado, uma faca toda ensangüentada, que foi a usada para a matar. Flavio quase queimou a mão com a vela, assustado com a cena.
-Temos que sair daqui, agora. Peguem as lanternas, as pilhas e as capas, temos que sair daqui a agora.- falou Flavio, desesperado, puxando Thiago pelo braço, mas o mesmo resistia, parecia não querer sair dali, do lado de Jess. –Todos nós sabemos que você gostava muito dela, mas temos que sair agora. Senão o mesmo pode acontecer conosco. Vamos.- continuou Flavio, tentando convencer o amigo.
-Você consegue andar com ela Fellipe?- Thiago levantou, ainda com muitas lágrimas. –Temos que protegê-la e sair daqui agora.
-Agüento sim, vamos.
...
...
No momento da falta de luz no shopping, quando Carlos, Vinicius e Paulo estavam nos fliperamas jogando e...BOOF... a luz acabou.
-É isso que dá sair em dia de chuva muito forte.- disse Vinicius.
E em alguns segundos algumas luzes de emergência acendem. Assim como Thiago, eles também perceberam que o lugar não era mais o mesmo. O melhor que tinham a fazer era procurar os amigos e ir embora dali, e foram a caminho de encontrar os amigos.
-THIAGO!, JESSICA!, BRUNA!!...- começaram a gritar pelos amigos, mas só o que viam eram as outras poucas pessoas do shopping.
-Aí, vocês sabem o que acontece quando a luz acaba?- perguntou Pablo. –É hora da festa, vamos pegar algumas coisinhas das lojas, haha, aproveitar que não tem praticamente ninguém aqui, nem seguranças. Vocês repararam? Não tinha seguranças. Estranho.
-Hei, não acho muito certo isso, é arriscado, se a luz voltar, já era pra gente, cadeia na certa.- contestou Carlos.
-Ah Carlos, vamos lá, olha a chuva que tá, nem que queiram vão pegar a gente. Pra te tranqüilizar mais, vamos por uns panos no rosto.- falou Vinicius.
E depois de conseguirem convencer Carlos, partiram pra um caixa eletrônico, numa parte do shopping que não tinha mais ninguém. Paulo tinha um celular com lanterna, o q facilitou a identificação da máquina. Não foi nada fácil pra eles, tiveram que arrumar barras de ferro e algumas ferramentas em uma loja de mecânica, e fizeram tudo com a maior cautela e silêncio. Até que, finalmente, conseguiram. Muitas notas saíam dali de dentro. Com certeza tinha uma grana excelente ali, que podia ser dividida pelos três.
-Não falei que era total segurança?- Paulo falou.
Enquanto tiravam o resto das notas, puderam escutar pisadas, bem longe. Neste momento Bruna e seus amigos estavam correndo do barulho que vinha do banheiro. Paulo, Vinicius e Carlos estavam bem longe de lá, mas podiam sentir o tão sinistro que era.
-O que será?- pergunta Carlos –Vamos pegar tudo e sair.
-Vamos.- Paulo.
Quando estavam fugindo do barulho, pararam bruscamente, ao depararem com alguém (ou algo), só era possível ver seus olhos. Mas não eram olhos normais...
-Q-q-quem é?- perguntou Carlos.
-Meu Deus! Olhos vermelhos? Que droga é essa?- Paulo.
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!- A criatura deu um grito ensurdecedor, e os amigos nem pararam pra pensar, correram como nunca haviam corrido na vida. Eles as vezes paravam e olhavam pra trás, e podiam ver dois olhos vermelho vindo atrás, como duas lanternas. Paulo falou para pararem de correr -Isso só pode ser brincadeira...- e então foi em direção aos olhos, e perguntou –O que você quer? Sabe de algo?- e foi com as duas mãos pra empurrar o inimigo. Porém não foi bem sucedido: atravessou aquilo e caiu no chão.
-Ferrou.- levantou rapidamente e saiu em disparada com os outros. Corriam muito rápido, como o vento, e então...PAM. bateram de cara com a parede do shopping, os três. Realmente não tinha como parar, e foi isso, ficaram caídos, desnorteados. Carlos desmaiou, talvez tenha batido com a cabeça. Vinicius e Paulo levantaram, e logo tentaram acordar Carlos, que não se mexia. Então perceberam que os olhos não estavam mais ali, talvez os tivesse deixado
No momento em que eles saíam, Flavio, Fellipe, Thiago e Bruna estavam na pequena loja, esperando a chuva passar, antes do incidente de Jéssica ocorrer.
Eles pensaram o mesmo que os outros, “Temos que salvar o resto dos nossos amigos.”, mas nas circunstâncias atuais era impossível, tinham que se organizar e irem preparados pra lá. Ainda chovia muito, parecia infinita, as ruas estavam inundando e o único lugar que ia ser bom ficar, era uma pequena capela logo ali em frente.
E foi aí mesmo onde começaram a estadia. Acenderam algumas velas, pra clarear e tentaram acordar Carlos, que felizmente estava bem, e levantou. Perguntou o que tinha acontecido, e como haviam parado ali. Os amigos responderam, detalhe por detalhe. Então ficaram ali, conversando um pouco, sobre como iriam lá pra salvar os amigos. Decidiram tentar arrumar algumas coisas para entrar no shopping, só que não dava com essa chuva e sem luz, teriam que esperar amanhecer, ou pelo menos a chuva passar.
...
...
-Então vamos sair logo daqui.- disse Thiago. Mas aí começou um barulho estanho de onde estava Jéssica. Parecia um som distorcido saindo dela, de dentro dela. Os 3 tentaram sair da casa depressa, mas a porta estava emperrada, então Thiago resolveu chutar a porta, ele era forte, não seria tão difícil. E chutou mais e mais. Aí perceberam que o corpo de Jéssica estava levantando. Isso causou um espanto maior ainda, o que levou Flavio a ir de encontrão a porta, com todas as suas forças, e finalmente ela abriu, e o joven caiu. Fellipe começou a gritar por socorro e ajuda, ainda com Bruna nos braços.
Nesse mesmo momento, na capela, os 3 amigos restantes ouviram os pedidos de socorro, e olharam pela janela. Não acreditavam no que estavam vendo, Os melhores amigos deles, em estado desesperador, mas porém, todos pareciam bem, menos Bruna. De primeira não sentiram a ausência de Jess. Saíram correndo da capela em direção aos amigos. –Hei gente, estamos aqui!- gritou Carlos, tentando correr pela água q já quase chegava aos joelhos. –Vocês estão bem?
No entanto nenhum dos 3 o respondeu, somente vieram correndo em direção a capela. Paulo reparou nas caras de horror dos amigos e nas lágrimas de Thiago.
-O que aconteceu com vocês? Por que o desespero? O que aconteceu com vocês no shopping?
-Jess tá morta cara, tem algo de muito errado aqui nesse lugar, hoje.
Paulo e os outros 2 demoraram a acreditar na morte de Jess. Então, Flavio se encarregou de contar tudo que havia acontecido pros três. Foi realmente difícil pra todos ali acreditarem no acontecido, mas era real, não tinha como não ser. Já dentro da capela novamente, Vinicius contou a todos o que havia acontecido com eles na outra parte do shopping, desde o dinheiro até o encontro.
Não podiam estar loucos, as “pisadas” foram ouvidas pelos dois grupos. Nada tinha lógica. O mais certo depois do assassinato, seria eles irem a uma delegacia próxima e falar do acontecido. E essa foi a idéia de Flavio. Mas não podiam esperar até de manhã, teriam que ir agora, mesmo com perigos lá fora, mesmo se arriscando.
E finalmente a chuva começou a parar, era a chance de tentarem fugir da igreja. Nessa hora Bruna já tinha acordado, perguntando se tinha sido um sonho entre outras coisas. Mas ela percebeu que tudo estava como ela tinha visto antes, não era sonho.
E todos estavam prontos pra sair, foram abrir a porta e novamente as velas começaram a apagar, só que dessa vez, a porta não queria abrir, para desespero de todos. Então algumas imagens que estavam espalhadas pela igreja começaram a cair. Não era possível ver, mas escutar sim. Paulo ligou seu celular, era meia noite em ponto.
-A partir de agora, suas escolhas se tornaram respostas para o que vocês foram, são e serão. Suas almas podem ser perdidas, hoje. Isso tudo foi culpa nossa, minha morte e todas as demais coisas. Não entendem o que está acontecendo? Isso não era pra ser só uma brincadeira?!- disse uma voz em alto e bom som, eles sabiam de quem era. Era a voz de Jessica.
Não podiam vê-la, apenas escutar. Isso tava parecendo um pesadelo pra eles. Não entendiam mais nada, estavam ficando sem consciência pra pensar sobre o que ocorria.
-Que dia é hoje? Preciso saber... que dia!?!?!- perguntou Thiago em pânico.
-Hoje é terça feira, 10 de julho de 2007, mas o que isso tem a ver com nossa situação?- Paulo.
-Tem tudo Paulo. Nós esquecemos que não devíamos brincar com coisas que não devíamos.- respondeu a voz de Jéssica.
Thiago começa a lembrar de um mês atrás.
...
...
LEMBRANÇAS DE THIAGO
Um mês atrás, dia 10 de junho de 2007.
Todos estavam em época de aulas em Junho, era um dia comum, como sempre. Só que neste dia não houve aula. Nenhum deles tinham planos então combinaram de ir pra casa de Fellipe, fazer alguma coisa. Chegando lá, tiveram muitas idéias do que fazer: alugar filmes, jogar vídeo game, tirar fotos, lanchar...
-Tenho uma idéia melhor pessoal, vamos fazer o jogo do copo.- Bruna deu a idéia, o que deixou geral animado. Já haviam feito uma vez, mas sem grandes resultados, só Flavio havia explodido um copo na mão,então resolveram jogar. As meninas fizeram as letras na cartolina, e os outros ficaram sem atividade, só Fellipe arrumou o copo, e algumas velas.
Estava tudo pronto para o grande momento. Só de pensar em jogar isso já os deixava excitados. Então acenderam as velas e fizeram o círculo com as letras e tal. Todos sentaram-se e colocaram os dedos no copo e falaram o que era necessário pra chamar os espíritos. Não tardou a acontecer a comunicação, logo o copo já se mexia.
Seu nome era Claudia, e havia morrido num assassinato esfaqueada, era do Rio de Janeiro. Resolveram perguntar quando morreriam e a resposta foi rápida: E-M-U-M-M-E-S. Não levaram tão a sério, até riram pra disfarçar o medo. Aproveitaram e perguntaram como: C-O-M-O-E-U.
Isso foi suficiente pra Flavio, que possuía, vamos dizer, um sentido extra, sem querer, tirar o dedo do copo, levando ao final da brincadeira. Eles reclamaram com ele, e falou que não foi de propósito. Eles se levantaram, e nesse instante o copo estoura, no chão mesmo, sem contato com ninguém. Isso foi muito assustador pra todos ali, que decidiram ir todos pra sua casa, e descansar, pois amanhã seria um novo dia.
Todos passaram o fim do dia pensando na brincadeira, e alguns nem conseguiram dormir direito, pois não apareceram na escola no dia seguinte. E foi esse clima de tensão por uma semana, até o acontecido nem dar mais medo neles. O assunto foi realmente esquecido...por enquanto...
...
...
E voltando a igreja...
-Nós liberamos um espírito maligno, estamos pagando por nossas brincadeiras. Por isso Jess está morta.- fala Thiago. Ainda com todos numa escuridão, Paulo consegue acender uma vela, e pode ver Jess, parada em frente a eles, do jeito que havia morrido.
-Meu Deus- Paulo, e todos sentem-se muito mal, com um frio na barriga, e praticamente ao mesmo tempo empurram a porta da igreja, e conseguem abri-la. Era cada um por si ali, todos foram começaram a correr, como de costume, ainda tendo que ir devagar por causa da água que estava alta.
-Vocês não podem escapar, assim como eu não pude!- gritou Jess.
Ela estava diferente, agora parecia um ser maligno, e não a antiga amiga deles. Em todo caso, não era bom ficar perto dela. Correram e conseguiram perceber que a rua não encontrava-se mais deserta, era cerca de 00:40 horas,e eles sabiam pra onde deveriam ir: à polícia, estariam seguros.
E chegaram lá.
-Precisamos de socorro, aconteceram coisas estranhas...- disse Fellipe.
-...é uma amiga nossa, morreu.- completou Bruna.
O oficial olha pra eles e fala: -Estão presos. Os sete. Coloquem algemas neles, vieram se entregar. Flavio e Thiago resistiram, afinal não sabiam o que era certo. E questionavam o que ocorria.
-O que? Querem saber por que estão presos? Quatro de vocês estão presos por assassinato, e os outros três por roubar um caixa eletrônico, e por formarem uma quadrilha organizada, em conjunto.- disse o policial- teremos que ligar pros seus pais, assim que as luzes, telefones voltarem ao normal. Vocês são monstros, isso é muita frieza.- e assim foram todos algemados, e colocados em duas celas, Flavio e Thiago tomaram algumas cacetadas e uns golpes dos policiais pela resistência.
-Desgraçados- falou Flavio cuspindo sangue. –Isso só pode ser brincadeira. Como assim assassinos? E ladrões?
-Bom, ladrões...é...- disse Vinicius. –Esqueceu do que contamos?
Flavio balançou a cabeça com um sinal de “não acredito que fizeram isso” e se encostou na parede de fundo da cela.
Bruna, Fellipe e Carlos estavam mais calados, sentados no chão, pensando em tudo que havia acontecido. Paulo, Vinicius e Flavio estava uns conversando com os outros, discutindo sobre o que ocorria, e pensando no que haviam feito a um mês atrás e suas conseqüências. Thiago pensava sozinho, a seu modo, no que havia dado de errado, na brincadeira, pra isso acontecer.
-É, minha primeira noite numa cadeia, nunca pensei que fosse acontecer isso, pelo menos ainda estou vivo.- disse Vinicius.
Estavam em celas diferentes, pois nas aos lados, não havia ninguém. Flavio desconfiou que fosse porque ele eram menores de idade. Ainda havia luz por ali, ainda bem, pelo menos não precisariam ficar num lugar assim, e ainda por cima no escuro.
-Já sei, eu sei o que deu errado...Flavio, lembra do dia da brincadeira? Então, quanto você tirou o dedo, o jogo acabou, e não fizemos nada.- comentou Thiago.
-E queria que fizéssemos o que? Uma dança da chuva?- respondeu num tom sarcástico.
-Exato, nós não pedimos pro espírito ir embora, é isso, por isso ele continuou atrás de nós, nós vamos morrer se não acabarmos com isso, mas se o fizermos, será o fim, ficaremos livres.- Thiago.
-Mas como poderíamos fazer isso? Não teremos até amanhã, se morrermos vai ser hoje... vamos ter que fazer aqui? Nessas condições?- perguntou Fellipe.
-Parece que vai ter que ser sim, senão...- Thiago
Pois muito bem, todos pegaram suas carteiras, para arrumar qualquer tipo de papel, para que fizessem as letras, Bruna havia pego algumas canetas na lojinha em que haviam ficado. Desvaziaram suas carteiras, até as notas de 2 e de 1 serviriam. Conseguiram então arrumar todas as letras, e os demais componentes do jogo, haviam papéis de empréstimo, vendo e compro jóias e ouro... enfim, coisas distintas acumuladas em suas carteiras.
-Mas e o copo? Como vamos arrumar?- indagou Flavio, que foi logo respondido por Bruna.
-Vou me fazer de quem está passando mal, vou desmaiar, façam todo tipo de barulho. Quando alguém chegar, falem que preciso de água. Na hora improvisamos. Só temos que fazê-lo sair e deixar o copo aqui.
E foi feita a encenação, Bruna realmente parecia estar tendo convulsões, e todos começaram a gritar, muito alto, até que finalmente chegou um policial, era um guardinha que tomava conta do local. Na verdade, achavam que o policial chefe havia ido embora, pois ouviram ele se despedindo, logo em que foram colocados nas celas.
-O que há?- perguntou o guarda.
-Cara, você tem que pegar um copo de água pra ela...Flavio.
-Ela tem convulsões quando fica muito nervosa, o único jeito é dar um copo de água pra ela.- completou Thiago. –rápido, por favor.
E o oficial parecia ter caído direitinho na história, saiu apavorado, sem saber o que fazer. Logo voltou com o copo de água. E o entregou a Fellipe, que tentou jogar na boca de Bruna, aos poucos.
O policial se aproximou demais da cela, o suficiente para Flavio nem pensar. POW. Deu um forte soco de direita na cara do guarda, mesmo que as celas tenham impedido de ser melhor. Ele desmaiou no chão. Parecia que estava dando mais certo que o previsto. Agora podiam pegar as chaves e as armas.
-Pega as chaves logo Flavio.- Thiago.
E foi feito, ele pegou todo o molho de chaves, e suas duas armas. Era a primeira vez que tinha uma arma em suas mãos. Viu o número da cela. Conseguiu abrir a deles e saíram os três. Flavio foi olhar se realmente o policial estava sozinho, e deu a chave pra Fellipe libertar os outros. Flavio voltou logo.
-A delegacia é nossa.- Flavio –O que vocês fizeram?
O guarda estava dentro da cela, sem seu rádio e qualquer outro objeto que o ajudasse a sair dali. –Bom, ta mais seguro com ele aí dentro.- comentou Paulo.
-Certo.- Flavio –Não temos como sair daqui, a rua ta mais que inundada, começou a chover de novo, e acho que é mais seguro aqui dentro, ta tendo um curto circuito em um poste lá fora, os fios caíram no chão e a água conduz a eletricidade, podemos morrer.
-Não podemos ficar aqui, se alguém voltar já era pra nós.- falou Carlos.
-Só temos que terminar o maldito jogo, tem que ser agora.- disse Thiago.
-Vocês são loucos? Temos que sair daqui, estamos no ponto principal, aqui vamos ser presos. Temos que fugir.- reclamou Vinicius. –Eu não sei quanto a vocês, mas eu tô partindo.
-Não, começamos o jogo com você, temos que terminar com você.- Paulo segurou seu braço.
-Tá certo, mas vamos rápido.
E foi certo, espalharam as letras pelo chão da sala principal da delegacia, e sentaram-se, e colocaram o copo no meio, chamaram por Claudia, do Rio de Janeiro, que havia sido esfaqueada. Passaram-se 4 minutos e aconteceu o primeiro sinal, quebrando todas as regras de que o copo precisa ser virgem, e que as letras tem que estar em folha de cartolina, desenhadas e recortadas perfeitamente.
-V-O-C-E-S-L-I-B-E-R-A-R-A-M-A-M-I-M-E-M-E-U-A-S-S-A-S-S-S-I-N-O
-Sabemos. O que temos que fazer pra terminar isso?- indagou Thiago.
Nesse momento o copo não se mexeu. Mas Flavio tirou o dedo do copo, e apertou as mãos contra o peito, parecia estar sentindo uma dor, e se remexeu e balançou a cabeça e a baixou.
-Não tirem o dedo do copo.- Paulo.
Bruna estava chorando. Flavio então levantou a cabeça, não parecia estar diferente, continuava com a mesma expressão, normal. Começou a falar, com uma voz um pouco diferente, mais chegada pro lado feminino.
-Perdoem-me por ter entrado no corpo do garoto, mas não seria possível dizer tudo rápido guiando um copo. E como ele que possui esse sentido extra, entrei nele mesmo. Vou ser rápida, sua amiga, a de cabelo ruivo, ela não está morta, foi tudo uma ilusão criada pelo espírito maligno que libertaram. Mas como vocês deixaram esse campo muito tempo aberto, estão trocando de lugar com ele, estão indo pra uma dimensão em que somente os espíritos ficam. Por isso algumas coisas ocorreram estranhamente. Atenção, se não terminarem o jogo, vão ficar neste mundo de pesadelos pra sempre. Mas se conseguirem terminar, tudo estará acabado, e poderão ficar tranqüilos novamente em seu lugar.
Todos estavam boquiabertos com as palavras do espírito. Ela continuou.
-Vocês tem que conseguir faze-lo vir mais, ele está próximo, está sondando vocês. Acendam uma vela. Chamem pelo nome de Cris, cozinheiro, morto numa batida de carro fugindo da polícia, pelo meu assassinato, há nove anos atrás. Quando ele vir e disser algo, vocês têm que falar algumas palavras como. “Feche este campo agora, com ou sem esse espírito. Que Deus o deixe passar seus dias infinitos no seu mundo, sem contato com o nosso.” É provável que aconteçam algumas coisas sobrenaturais, e que vente muito. Pode haver resistência. Repitam isso, juntos, até o vento passar, aí nem pensem, joguem o copo numa parede e o destruam... Boa sorte pra vocês, também preciso voltar pro meu mundo, depende de vocês, todos....
E Flavio pode tomar sua consciência novamente. Eles falaram rápido pra ele o que acontecia, e o que devia dizer, disseram também que explicariam melhor depois. Todos colocaram seus dedos e começaram a invocar Cris, o cozinheiro, que morreu numa batida de carro, e para surpresa, alguns segundos depois ele falou:
V-A-O-M-O-R-R-E-R
Então começaram a repetir todos juntos as palavras para levá-lo de volta de onde veio. “Feche este campo agora, com ou sem esse espírito. Que Deus o deixe passar seus dias infinitos no seu mundo, sem contato com o nosso.”, repetiram umas dez vezes. As luzes começaram a queimar, as janelas a explodir, começou ventar também, forte demais, carregando as letras para o fundo da delegacia. Eles continuavam repetindo, constantemente, mais e mais alto, cada vez com mais sentimento, até que bruscamente o vento parou, tudo tinha acalmado.
-Agora!!! O COPO!!!!- Thiago pegou o copo, muito rápido, quase nem perceberam, e tacou com uma força incrível na parede da delegacia. CRAC.
PUUMMM
...
...
(Final 1)
Estava tudo muito claro, claro demais. Uma luz incrivelmente forte. Mesmo com os olhos abertos não era possível se ver nada.
-Estão todos aqui?- perguntou Bruna.
Um a um foi respondendo, dando um sinal de vida. Menos Jéssica.
-Mas o que será que aconteceu?- perguntou Vinicius.
-Não sei...parece que...a luz ta diminuindo um pouco.- disse Thiago agora podendo já sentir que estava na delegacia.
-Será que está tudo acabado? Estamos livres?- Carlos e Paulo.
ATENÇÃO, POLÍCIA, RENDAM-SE!!
-Tem um armado!- gritou um policial. POW.
Não podiam acreditar naquilo, Flavio tomou um tiro no ombro esquerdo.
-Todos parados.- e ficaram sem reação diante daquilo tudo.- Tem mais uma acusação agora. –era o policial chefe que os havia pego na entrada da delegacia.- tentativa de fuga. Vão voltar pras suas celas agora.- E saiu os empurrando, chutando e batendo, principalmente em Flavio, que estava caído, tentando suportar a dor. Paulo o ajudou a levantar e foram novamente presos. Agora em outra ordem, Paulo, Flavio, Carlos e Bruna estavam em uma, Fellipe, Vinicius e Thiago em outra.
-Como você está? Ta doendo muito?- perguntou Thiago a Flavio.
-M-muito mal...o que será que deu errado? Ou será que isso é o certo? Temos que ser presos sem razão? É o nosso destino?
-HAHA.- O espírito com olhos vermelhos havia parado entre as duas celas. Agora podiam vê-lo: era um homem, estatura média, branco, cabelo preto liso até os ombros.- como puderam cair nessa? Foi ridículo...
-O que? Como assim? Quem é você?- Bruna e Fellipe.
-Eu sou Cris, e Claudia estava sobre meu comando, ela apenas mandou vocês fazerem o contrário do que era necessário. Vocês fecharam o portal, mas sem sair dele. Haha, esse é o mundo dos que não tem pena, uma outra dimensão. Um mundo dividido, um mundo mau. Esse vai ser o pesadelo de vocês, pra sempre. Não tem quem os proteja. Estão perdidos, nesse mundo de terror e obscuridade, e quanto a mim, vou continuar no seu mundo. Arrumar um corpo que possa me manter, continuar sustentando meus vícios.
-Isso não pode estar acontecendo.- Flavio com lágrimas nos olhos.
-Não pode ser...- Bruna em prantos.
-Bom, a amiga de vocês está realmente morta, nem dela vocês podem receber ajuda. Tenho que ir agora, vem um policial aí...
E virou uma fumaça saindo dali, todos estavam em terror.
-Bom, qual de vocês é o ferido mesmo?- perguntou o oficial.
-Não pode ver desgraçado?. Respondeu Flavio.
-Desacato a autoridade? Hum, exatamente o que eu queria.- POW POW POW.
Não podia ser, Flavio havia tomado 3 tiros. Dois nos peitos e um na cabeça. Estava morto. Bruna estava chorando sobre ele, e ou outros encostados na parede, sem reação. Era o fim, não tinham mais nada que os fizesse sentir vontade de viver...Estava tudo acabado. Thiago não conseguia crer, aquele imenso barulho na porta do banheiro, que havia até tremido o chão, era feito por um espírito, provando que são extremamente fortes em seu mundo, porém no nosso, precisam de nós para se manter.
-Bom, quem sabe um dia desses, nós tiramos o corpo daí de dentro, quando começar a apodrecer. Haha, ou quem sabe, podemos deixar aí pra sempre, como castigo pra vocês. Aí está o que vocês sempre queriam, uma aventura, não bem sucedida, mas uma aventura, brincadeiras como essa podem acabar mal, vejam vocês...São pessoas perdidas em um mundo de almas más. Agora não tem opção, só ficar aí até o tempo passar e morrerem, sem água, sem comida, sem nada. Pense bem nas mortes, pelo menos eles já morreram, não vão precisar sofrer como vocês vão, haha.
Parecia um pesadelo, sem fim, todos estavam chorando, sabendo que aquilo nunca acabaria, não havia mais nada a fazer, a beira de um precipício de medo e terror. O desespero já havia tomado conta. Nunca mais seriam felizes, 8 amigos que somente queriam ir pro shopping e se divertir, com esse final sombrio.
Então o guarda sai rindo e fechando um portão principal, acabando com a luz ali. Acabando com 6 vidas inocentes, que apenas experimentaram uma brincadeira pra saber como era... PAM...O portão se fecha. –HAHA.
FIM-
...
...
...
(Final 2)
Estava tudo muito claro, com se o sol estivesse ali perto, não podiam enxergar nada. Mas essa luz não doía nos olhos.
-Estão todos bem?- perguntou Thiago. –Estão todos aqui?
-Tô aqui- Flavio.
-Eu também- Bruna.
-Acho que deu certo, mas e os outros?- Thiago.
-Bom, vamos ver, a luz ta diminuindo- respondeu Flavio.
Não dava pra acreditar naquilo. Estavam novamente no shopping, os três juntos. Podiam ter certeza que essa cena já tinha acontecido antes. BOOF... A luz acabou. Era exatamente o que tinha acontecido antes.
-Meu Deus, tudo de novo? Não pode ser.- disse Bruna.
Passaram-se alguns segundos. Thiago não se surpreendeu em saber o que aconteceria. As luzes de emergência se acenderam, algumas. Eles realmente só podiam pensar em juntar todos os amigos e não permitir que acontecesse nada com eles.
-Vamos atrás de Jess e Fellipe, agora já sabemos o caminho.- disse Flavio.
Até que, não parecia mais ser necessário ir no escuro. As luzes se acenderam novamente, todas, o shopping havia voltado ao normal.
-Hei! Vocês!!- Paulo vinha correndo em direção aos três, com Carlos e Vinicius atrás.
-Haha, parece que tudo funcionou certo.- disse Thiago. –Só falta Fellipe e Jéssica,vamos até os banheiros e bebedouros.
E no caminho, lá estavam os dois, vindo correndo. Thiago ficou muito feliz, ele podia ver Jess novamente, o que achou que não poderia ocorrer mais. Então foi em direção a ela e lê deu um abraço, forte, que a tirou do chão. Estavam todos felizes, finalmente, mas agora não pensavam mais em ficar andando por aí, só queriam saber de voltar pras suas casas e dormir, já estavam muito cansados, afinal, já tiveram uma noite, e mais uma não dava.
-Me perdoem, não pude evitar, fui pega e...não sei, não lembro direito, não podia me mexer, estava deitada em um lugar fechado. Vocês podem me contar o que ocorreu?- perguntou Jess.
-Não tem como explicar o que ocorreu essa noite, foi fantasia demais, podia até se dizer que foi um pesadelo em conjunto,- explicou Vinicius.
-Você não tem noção do que passamos.- falou Bruna.
-Daria uma bela história, haha- comentou Paulo. –Principalmente a parte do dinheiro.
-Que dinheiro?- perguntou Jéssica.
Paulo por acaso percebeu agora um volume a mais nos seus bolsos, e não hesitou em pegar.
-Não acredito- mostrou o dinheiro, discretamente. –Que tal um rodízio amanhã? Por minha conta claro.
Todos deram um leve sorriso, havia dado certo, parecia que ia ficar tudo bem agora. Flavio agora prestava atenção em sua roupa, estava toda rasgada e suja.
-É, a noite foi mais real do que eu pensei- falou mostrando a camisa.
Todos pensaram no terrível barulho que vinha do banheiro, quando saíram do shopping, naquela hora. Como poderia ser feito por um espírito? Estava mais que provado que no nosso mundo eles não podem fazer tantas coisas, dependem muito dos vivos, mas em seu mundo, são extremamente forte e espertos.
Então decidiram todos sair, iriam todos pras suas casas, descansar. Agora não precisavam ter medo de nada, haviam fechado o “portal” de dois mundos, estava tudo certo. Chegaram na saída, não estava mais chovendo, a rua estava bastante movimentada, e não estava inundada.
-Sabem que dia é sexta? Perguntou Vinicius. –É treze...Que tal fazermos uma brincadeira diferente, nada de copos, o negócio agora é compasso. Vamos?
Thiago e Flavio deram um leve sorriso, e Paulo que estava atrás, deu um tapa na cabeça de Vinicius e falou:
-Pára de bobeira rapaz. Ta querendo uma nova aventura?
Todos riram disso. A lua estava linda, tudo estava bem. Só sabiam que nunca mais fariam coisas que não conhecessem direito, ou da próxima vez não teriam tanta sorte, e sabe-se lá o que poderia acontecer. Flavio e Thiago ficaram pra trás.
-Tá vendo Flavio, os mocinhos têm bons finais, até na vida real, haha.
-Bom final por enquanto...- Thiago ouviu um sussurro, parecia vir de Flavio.
-O que disse Flavio?
-Eu nada, por quê? Ta com sexto sentindo também? Ouvindo coisas? Será que eu sou contagioso?
Thiago levou na brincadeira, achou que havia sido uma brincadeira do amigo. Ou que podia estar tendo alucinações, pelo medo da noite que havia tido...mas ficou uma dúvida nele. E se não fosse nenhuma das duas opções?...
FIM-
<><><><>Conto de autoria de Artemus Hazim. Todos os direitos autorais reservados ao autor desta obra.